Bissau acolhe Reunião Regional sobre Políticas de Drogas e Saúde Pública na Lusofonia

05 Março 2026

O Centro Cultural Português, em Bissau, foi palco da Reunião Regional “Trabalhar em Conjunto para a Saúde Pública: Minimizar os Danos e Risco do Uso de Drogas Ilícitas nos Países de Língua Portuguesa”.

O encontro, acontecido no 4 de março, reuniu representantes governamentais, agências internacionais, academia e sociedade civil dos países lusófonos, reforçando a importância de respostas coordenadas, baseadas na evidência científica e nos direitos humanos.

Na sessão de abertura, Luís Mendão, Diretor-Geral do Grupo de Ativistas em Tratamentos e em representação da Rede Lusófona de Saúde Comunitária, destacou que “não há saúde pública eficaz sem o envolvimento ativo das comunidades”, sublinhando o papel central da cooperação lusófona.

Ao longo da manhã, o painel sobre o papel das agências internacionais contou com intervenções da União Europeia e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), reforçando a necessidade de alinhar financiamento, conhecimento e políticas públicas com as realidades locais.

No debate sobre respostas lideradas pela comunidade, foi enfatizada a transição de abordagens punitivas para modelos centrados na saúde. Como salientado durante o painel, “a evidência mostra que investir em prevenção, redução de riscos e cuidados é mais eficaz do que punir”.

A sessão da tarde, sob o lema “Nada Sobre Nós Sem Nós”, trouxe para o centro da discussão a liderança comunitária e a participação das pessoas que usam drogas na definição de estratégias e políticas. A intervenção de representantes institucionais e comunitários reforçou a importância de integrar diferentes perspetivas na construção de respostas sustentáveis.

No encerramento, foi reafirmado o compromisso com uma cooperação lusófona coesa, articulando saúde, justiça e desenvolvimento, com vista a reduzir danos, fortalecer sistemas de saúde e promover políticas públicas mais humanas e eficazes.

A reunião constituiu um passo concreto na consolidação de uma agenda comum entre os países de língua portuguesa, colocando a saúde pública no centro das políticas de drogas.