Declaração do GAT sobre alerta de possível insegurança para crianças nascidas de mulheres que engravidam quando em tratamento com dolutegravir

Contexto:

O Dolutegravir é um medicamento chave no tratamento de primeira linha da infeção VIH.
É muito importante que seja usado corretamente, com segurança e confiança.

Uma análise preliminar não programada de um estudo de vigilância de nascimentos em curso no Botsuana relatou um risco aumentado de defeitos no tubo neural entre bebés de mulheres que engravidam quando em regimes baseados em dolutegravir (DTG).

Foram relatados 4 casos de defeitos no tubo neural, entre 426 crianças nascidas de mulheres que estavam em tratamentos baseados no DTG no momento da conceção. Esta taxa de cerca de 0,9% compara desfavoravelmente com a taxa de 0,1% de defeitos do tubo neural geralmente reportada em bebés nascidos de mulheres que usam esquemas não baseados em DTG no momento da conceção.

O GAT não conseguiu saber se estas mulheres fizeram (como deviam) acido fólico.

Aguardam-se os dados prospetivos em 600 mulheres de Botsuana e 400 no Brasil que estavam em esquemas baseados em DTG no momento da conceção e têm gestações em curso.

É importante realçar que não houve registo de defeitos no tubo neural em bebés nascidos de mais 2000 mulheres no estudo do Botswana que iniciaram DTG durante a gravidez, inclusive no primeiro trimestre. Nem houve nenhum sinal nos registos mundiais de gravidez de mulheres com VIH a fazer DTG.

Em anexo a circular informativa do INFARMED de 23 de maio com que concordamos e a carta da ViiV aos profissionais de saúde, com data de 24 de maio, mas a que só tivemos acesso ontem.

Em 21 de Maio o GAT enviou um e-mail à Diretora Nacional VIH Dra. Isabel Aldir a alertar para este assunto.

O GAT está convicto que será um alarme que não vai ser confirmado quando houver mais números.

Lembremos do “ruído” que houve com o efavirenze.
Mas o GAT defende firmemente o princípio da precaução em saúde.

Não percebemos a recomendação da EMA sobre ser necessário alterar terapêutica em mulheres sob TAR com dolutegravir que se apresentem já grávidas, se durante o primeiro trimestre, mas reconhecemos que talvez seja a aplicação do princípio da precaução.

À luz destes resultados preliminares, o GAT julga que devem ser seguidas as seguintes recomendações:

  • Todas as mulheres que desejarem engravidar devem iniciar o tratamento com ácido fólico 5 mg/dia, independentemente do seu regime ART;
  • Todas as mulheres que iniciam o DTG devem ter um teste de gravidez negativoantes do início e método contínuo de contraceção documentado;
  • Aconselhamos uma revisão de todos os registos (SI.VIDA) de mulheres com VIH em idade fértil a fazer DTG em relação aos planos de conceção, método documentado de contraceção e estado atual da gravidez;
  • Recomendamos que as mulheres em risco de gravidez e em DTG sejam contatadas para discutir o uso de DTG, tal deve ser documentado, e a mulher vista pessoalmente se estiver grávida.

Para uma mulher em DTG que deseja conceber:

  •  Aconselhar mudar para um regime ART eficaz alternativo com os melhores dados de segurança sobre a gravidez;

 Para uma mulher em DTG que não planeia engravidar, mas for fértil engravidar:

  • Aconselhar discussão sobre o método atual de contraceção a ser claramente documentada.

Para uma mulher em DTG que engravide ou esteja grávida:

  1. Sabe-se que o tubo neural se fecha 4 semanas após a conceção, mas a EMA recomenda que as mulheres em DTG no primeiro trimestre interrompam o DTG. Portanto, recomendar que as mulheres no primeiro trimestre de gravidez em DTG mudem para um regime em que haja mais dados de segurança na gravidez;
  2. Não recomendar mudar o DTG se a mulher estiver no segundo ou terceiro trimestres da gravidez;
  3. Se o médico / mulher optarem por mudar, usar um regime em que haja mais dados de segurança durante a gravidez;
  4. Análises detalhadas de anomalias devem ser feitas de acordo com as recomendações atuais.

Para uma mulher que está grávida e ainda não está em ART:

  1. Aconselhar o uso de ART recomendado na gravidez.

Nota Importante:

Estes dados são muito preliminares e estas recomendações podem mudar. Aquilo que nos parece ser a principal diferença com a Circular do Infarmed e a Carta da ViiV é identificarmos a necessidade de um plano de ação monitorizado para garantir rapidamente e sem alarme todas as mulheres com VIH em idade fértil a fazer regimes TAR contendo DTG sejam contactadas e essa ação e eventuais decisões inseridas no SI.VIDA.

Fontes:

European Medicines Agency (EMA)

http://www.ema.europa.eu/ema/index.jsp?curl=pages/news_and_events/news/2 018/05/news_detail_002956.jsp&mid=WC0b01ac058004d5c1
OMS guidancehttp://www.who.int/medicines/publications/drugalerts/Statement_on_DTG_18May _2018final.pdf?ua=1

FDA Statement

https://www.fda.gov/Drugs/DrugSafety/ucm608112.htm