O conhecimento médico e científico e os Direitos Humanos versus o obscurantismo, as crenças e o moralismo primário.
Saudamos, em primeiro lugar, o desassombro e a coragem cívica do médico Bruno Maia, nosso associado e colaborador, e apoiamos integralmente o seu texto (em anexo) de esclarecimento sobre a notícia do Jornal de Notícias de dia 14 de julho, "Medicamento contra a SIDA utilizado para fazer sexo de risco".
A promoção da saúde individual e pública deve assentar no conhecimento, na evidência científica e no respeito dos direitos humanos, pelo que o obscurantismo médico e o moralismo primário promovido no artigo do Jornal de Notícias, com alegada base em fontes “médicas”, são inaceitáveis.
O GAT promove há vários anos o Dia Internacional do Preservativo, sendo a organização que distribui mais preservativos e gel em Portugal — em 2015, distribuímos mais de um milhão de preservativos.
O GAT defende o uso da Profilaxia Pós Exposição (PPE) para a infeção pelo VIH, bem como a urgente atualização das orientações terapêuticas para a PPE. Connosco, temos a OMS, o ECDC, o IAS e EACS, assim como a esmagadora maioria das organizações e dos especialistas nesta área.
O GAT defende a aprovação urgente e o uso da Profilaxia Pré Exposição para a infeção pelo VIH em pessoas em risco alto para a infeção por VIH. Connosco, temos a OMS, a ONUSIDA, o ECDC, o IAS e EACS, assim como a esmagadora maioria das organizações e dos especialistas nesta área.
A situação da epidemia de VIH em Portugal é demasiado grave para darmos espaço a moralismos, crenças e incompetência. Contudo, é possível resolvê-la, tal como é possível atingir os objetivos internacionais que subscrevemos, se dermos primazia ao conhecimento científico e aos direitos humanos, punindo os atos de discriminação, se envolvermos as pessoas que vivem com a infeção e os grupos-chave, e se alocarmos os recursos devidos e diminuirmos os custos incomportáveis dos medicamentos.








