Hepatite C: tratar os mais doentes e responder à epidemia em Portugal

Download PDF  

Assinala-se, no dia 28 de Julho, o Dia Mundial das Hepatites.

Apoiando o apelo internacional das organizações europeias de doentes (em anexo) de redução de riscos e coinfecções, enviada aos Ministros da Saúde da União Europeia e aos CEO das companhias farmacêutica que trabalham na área da hepatite C, e o apelo similar das organizações da Sociedade Civil portuguesa (em anexo) enviado ao Governo e à indústria farmacêutica para "tratar os mais doentes e responder à epidemia do vírus da hepatite C em Portugal", um grupo de pessoas que vive com Hepatite C deslocar-se-á no Dia Mundial das Hepatites, dia 28 de Julho, pelas 12:30, ao Ministério da Saúde, para entregarem ao Sr. Ministro da Saúde e Sr. Secretário de Estado da Saúde um apelo para que haja um compromisso claro da parte das autoridades governamentais no sentido de:

- Garantir, em primeiro lugar a todos os doentes em situação clínica grave o acesso compassivo gratuito e autorizações especiais de utilização das combinações terapêuticas mais eficazes;

- Disponibilizar o tratamento, ao longo dos próximos anos, a todos os doentes que dele necessitem, com as melhores combinações terapêuticas disponíveis para a eliminação da Hepatite C em Portugal de uma forma sustentada;

- Alocar recursos técnicos e financeiros para prevenir, diagnosticar e tratar a Hepatite C, tendo em vista a sua eliminação;

- Investir no diagnóstico e na referenciação aos cuidados de saúde de todas as pessoas infetadas, aumentando a literacia em tratamento das pessoas que vivem com hepatite C, sobretudo das que usam drogas, intensificando o acesso e melhorando os programas de redução de riscos, incluindo o programa de troca de seringas, diversificando e alargando os programas de manutenção opiácea (buprenorfina gratuita, morfina de libertação prolongada e e estruturas de consumo seguro).

- Envolver de forma significativa os especialistas médicos em tratamento e em saúde pública, os epidemiologistas e os doentes na discussão da estratégia e plano de ação, bem como representantes de organizações da sociedade civil e pessoas que usam drogas (o grupo mais afetado pela epidemia).

À indústria farmacêutica exigimos que disponibilize, com urgência e de modo gratuito os medicamentos sem Autorização de Introdução no Mercado (AIM) às pessoas mais doentes e sem opções terapêuticas, que assuma as suas responsabilidades sociais para com os doentes, a saúde pública e a sustentabilidade do SNS, propondo preços que tornem possível tratar dezenas de milhares de doentes nos próximos anos.

O grupo estará disponível para responder a perguntas e esclarecer qualquer aspeto no local ou posteriormente.

Com os nossos melhores cumprimentos,

O porta-voz do grupo,

Luís Mendão